sábado , 19 setembro 2026
Lar Região São Francisco do Guaporé enfrenta buracos, crise na saúde e investigação de R$ 13 milhões; população desconfia de CPI da Câmara
RegiãoÚltimas notícias

São Francisco do Guaporé enfrenta buracos, crise na saúde e investigação de R$ 13 milhões; população desconfia de CPI da Câmara

São Francisco do Guaporé enfrenta buracos, crise na saúde e investigação de R$ 13 milhões; população desconfia de CPI da Câmara
São Francisco do Guaporé enfrenta buracos, crise na saúde e investigação de R$ 13 milhões; população desconfia de CPI da Câmara

Reportagem especial

A cidade de São Francisco do Guaporé, no interior de Rondônia, vive um momento de forte insatisfação popular. Conhecida no passado como a “capital do Vale do Guaporé”, o município hoje enfrenta denúncias de abandono na infraestrutura, problemas graves na saúde pública e uma investigação milionária envolvendo recursos da saúde.

Moradores afirmam que, em pouco mais de um ano da atual gestão do prefeito José Wellington, do Partido Liberal (PL), a cidade teria sofrido um retrocesso significativo. Nas redes sociais e nas ruas, a frase mais repetida pelos moradores é: “São Francisco voltou dez anos no tempo”.

São francisco do Guaporé-RO
São francisco do Guaporé-RO

Ruas esburacadas e “remendos” de cimento em São Francisco do Guaporé

Ruas com buracos em São Francisco do Guaporé
Ruas com buracos em São Francisco do Guaporé

Um dos problemas mais visíveis está nas ruas da cidade. Em diversos bairros — inclusive no centro — motoristas e moradores convivem diariamente com buracos.

Notícias de São Francisco do Guaporé

Segundo denúncias da população, em vez de utilizar massa asfáltica adequada para manutenção das vias, alguns reparos estariam sendo feitos com cimento.

Moradores ironizam a situação dizendo que “estão fazendo calçada no meio do asfalto”. Técnicos alertam que o uso de cimento sobre pavimento asfáltico pode causar infiltração e ampliar ainda mais os buracos com o tempo.


Falta de iluminação e sensação de abandono em São Francisco do Guaporé

Outro problema frequente é a falta de iluminação pública em várias ruas da cidade. Moradores relatam que alguns bairros enfrentam verdadeiros “apagões” durante a noite, aumentando a sensação de insegurança.

As reclamações sobre infraestrutura se acumulam e reforçam o sentimento de abandono no município.


Saúde com falta de medicamentos

A saúde pública também está no centro das críticas. De acordo com relatos de moradores, unidades básicas de saúde enfrentam falta de medicamentos.

Além disso, o município não possui hospital municipal nem Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o que obriga pacientes a buscar atendimento em cidades vizinhas.

A comparação mais frequente feita pela população é com o município de Seringueiras, que é menor e possui arrecadação inferior, mas conta com hospital municipal que realiza diversos procedimentos cirúrgicos, inclusive cirurgias ortopédicas realizadas semanalmente.


Investigação de R$ 13 milhões na saúde

A situação ganhou ainda mais gravidade após a revelação de uma investigação envolvendo R$ 13 milhões da saúde municipal.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Rondônia, pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) e pela Polícia Federal do Brasil, já que parte dos recursos seria de origem federal.

O valor investigado é considerado extremamente alto para o município:

  • corresponde a cerca de 10% do orçamento anual da cidade, estimado em aproximadamente R$ 130 milhões;

  • e representa cerca de 50% dos recursos da saúde municipal.

Há suspeitas de que parte do dinheiro possa ter sido perdida em apostas online, incluindo o jogo conhecido como “Tigrinho”. As autoridades ainda investigam essa possibilidade.


Câmara cria CPI, mas população desconfia

Diante da repercussão do caso, a Câmara Municipal de São Francisco do Guaporé instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o possível desvio.

No entanto, a iniciativa já nasce cercada de desconfiança por parte da população.

O presidente da CPI é o vereador Osias, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), considerado aliado político do prefeito. Moradores afirmam que o vereador costuma defender a administração municipal em grupos de WhatsApp da cidade.

Já o relator da comissão é o vereador Elias Dutinin, também do Partido Liberal, mesmo partido do prefeito.

Para parte da população, o fato de vereadores da base política do prefeito conduzirem a investigação levanta dúvidas sobre a imparcialidade da comissão.


Prefeitura recebeu caixa milionário da gestão anterior

Outro ponto frequentemente citado pelos moradores envolve a situação financeira deixada pela gestão anterior.

Segundo relatos políticos locais, o ex-prefeito Tinoco teria deixado cerca de R$ 27 milhões em caixa ao final de seu mandato.

Mesmo com esse cenário financeiro, moradores afirmam que a atual gestão não estaria conseguindo manter o nível de serviços e obras existentes anteriormente.


Usina de asfalto parada há mais de um ano

Outro exemplo apontado como símbolo de falta de gestão envolve um recurso destinado para infraestrutura.

Segundo informações locais, a prefeitura possui R$ 2,1 milhões em conta para a compra de uma usina de asfalto, recurso destinado pelo ex-deputado Lebrão.

No entanto, mais de um ano após o recurso estar disponível, a prefeitura ainda não teria concluído o processo de licitação para adquirir o equipamento.

Enquanto isso, os reparos nas ruas continuam sendo feitos de forma improvisada com cimento, o que tem gerado críticas e questionamentos da população.


População cobra respostas

Diante da soma de problemas — buracos nas ruas, falta de iluminação, crise na saúde e investigação milionária — cresce a pressão popular por respostas.

Moradores aguardam o avanço das investigações e cobram atuação das autoridades, incluindo o Ministério Público do Estado de Rondônia.

Para muitos moradores, o sentimento predominante é de frustração. A cidade que já foi considerada referência na região do Vale do Guaporé hoje enfrenta um cenário que muitos descrevem como abandono e falta de gestão.

Deixe um comentário